Necropolítica na Diáspora africana em "O crime do Cais do Valongo", de Eliana Alves Cruz

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70678/refami.v9i2.1024

Palavras-chave:

Necropolítica, Diáspora, Escravidão, Colonidade poder

Resumo

Apesar do romance O crime do Cais do Valongo (2024), de Eliana Alves Cruz, ter início com a morte de um branco, não é esta a tônica do romance, mas sim a soberania exercida sobre a morte na diáspora africana . Dessa forma, o conceito de necropolítica se ressalta. Conceito este cunhado por Achille Mbembe, na esteira dos conceitos de biopoder e biopolítica, de Michel Foucault. As pedras do Cais do Valongo soterraram muitas mortes propiciadas pelos maus tratos “decretados” para os africanos, vítimas da diáspora, não somente durante suas trajetórias nos tumbeiros, bem como, durante a “vida” imposta pelo país. Assim, a narrativa se desdobra, ora dando conta da morte “em vida”, ora apresentando esta como resultado da violência praticada pelo colonizador. Diante disso, a “colonialidade do poder” se ressalta de forma pujante, pois, não somente traz à tona o poder demandado pelo imperialismo, consolidado pelo neoliberalismo, mas também, coloca em voga a “colonialidade do saber” e a “colonialidade do ser”. Este trabalho tem como objetivo demonstrar como todos esses pressupostos se apresentam nesta obra.

Referências

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Publicado

15-09-2024

Como Citar

Chagas, S. N. (2024). Necropolítica na Diáspora africana em "O crime do Cais do Valongo", de Eliana Alves Cruz. Revista Falange Miúda, 9(2), 138–151. https://doi.org/10.70678/refami.v9i2.1024