Gradação e transbordamento do desejo em La orgía, de Enrique Buenaventura

Autores

  • Wanderlan Alves Universidade Estadual da Paraíba

Palavras-chave:

La orgía, Enrique Buenaventura, teatro colombiano, Teatro de Transformação Social, desejo

Resumo

Neste artigo, proponho uma leitura da peça curta La orgía, do dramaturgo colombiano Enrique Buenaventura, para discutir sua configuração formal gradativa e os modos como certas relações entre sujeito, ritual e trabalho se articulam e, ao mesmo tempo, se desestabilizam ante a emergência anárquica de uma verdadeira orgia, no texto literário-dramatúrgico da peça. Desse modo, opera-se uma sucessão de inversões e contrastes (entre personagens e temporalidades) por meio das quais a potência do desejo desmonta as ilusões criadas ao redor de uma memória (individual e cultural) alienada que procura controlar a todos na trama. Essas operações desmascaram a opacidade da representação dessa memória a partir de jogos de linguagem, de certa performance cênica e do brincar, recursos que colocam em tensão os sujeitos e não sujeitos em cena e promovem um transbordamento da ordem e dos sentidos da virtualidade cênica.

Referências

ALVES, W. O melodrama e outras drogas: uma estética do paradoxo no pós-boom latino-americano. Campina Grande: Eduepb, 2019.

BARTHES, R. Aula. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Cultrix, 1996.

BROOKS, P. The Melodramatic Imagination: Balzac, Henry James, Melodrama and the Mode of Excess. New Haven: Yale University Press, 1995.

BUENAVENTURA, E. La orgía. Tramoya, n. 11, p. 16-32, 1978.

CHAUÍ, M. Sobre o Direito à preguiça [Prólogo a O direito à preguiça]. Artepensamento, 2012. Disponível em: <https://artepensamento.ims.com.br/item/sobre-o-direito-a-preguica/>. Acesso em: 25 maio 2023.

DELEUZE, G. Derrames entre el capitalismo y la esquizofrenia. Trad. Equipo editorial Cactus. Buenos Aires: Cactus, 2005.

DERRIDA, J. A Estrutura, o Signo e o Jogo no Discurso das Ciências Humanas. In: ______. A escritura e a diferença. Trad. Maria Beatriz Marques Nizza da Silva. São Paulo: Perspectiva, 1971. p. 229-249.

DÖLZ-BLACKBURN, I. Enrique Buenaventura y el Nuevo Teatro de Colombia: una ruptura con la estética teatral tradicional. Confluencia, v. 8, n. 2, p. 101-106, 1993.

ESPENSER, M. W. La teoría teatral de Enrique Buenaventura: el problema del colonialismo cultural. Revista de crítica literaria latinoamericana, n. 7-8, p. 193-197, 1978.

HJEMSLEV, L. Prolegômenos a uma teoria da linguagem. Trad. L. Teixeira Coelho Neto. São Paulo: Perspectiva, 1975.

HUIZINGA, J. Natureza e significado do jogo como fenômeno cultural. In: ______. Homo ludens. São Paulo: EDUSP, 1971, p. 3-31.

LACAN, J. Kant con Sade. In: _____. Escritos 2. 10. ed. Trad. Tomás Segovia. Buenos Aires: Siglo XXI, 1984 [1966]. p. 744-770.

LAFARGUE, P. O direito à preguiça. 2. ed. Trad. Teixeira Coelho Netto: São Paulo: UNESP/HUCITEC, 1999.

MARTIN-BARBERO, J. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Trad. Ronald Polito e Sérgio Alcides. 2. ed. Rio de Janeiro: EdUFRJ, 2001.

MARX, K. O 18 de brumário de Luis Bonaparte. São Paulo: Boitempo, 2011.

MOLINA MORA, L. E. Lo grotesco como forma de expresión en los personajes de La orgía de Enrique Buenaventura. Hybrido, n. 8, p. 56-61, 2006.

MONZÓN RODRÍGUEZ, S. De violencia a destrucción: Los papeles del infierno de Enrique Buenaventura. Tropos Journal, n. 40, p. 157-178, 2017.

MOREIRAS, A. Children of Light: Neo-paulinism and the Cathexis of Difference (I). The Bible and Critical Theory, n. 1, v. 1, p. 3-13, 2004.

OROZ, S. Melodrama: o cinema de lágrimas da América Latina. Rio de Janeiro: Rio Fundo, 1992.

RIVAS-FRANCO, R. Los papeles del infierno: del motivo a la isotopía. Papel Escena, n. 15, p. 24-41, 2017.

RIZK, B. J. The Colombian New Theater and Bertold Brecht: A Dialectical Approach. Theatre Research International, v. 14, n. 2, p. 141-149, 1989.

ROJAS, V. C. La construcción del victimario en Enrique Buenaventura: una reflexión en torno a la construcción del victimario en la memoria histórica colombiana. Revista cultura investigativa, n. 6, p. 52-66, 2013.

SANDI-DÍAZ, G. Latin American Theater for Social Change: The Case of Augusto Boal and Enrique Buenaventura. Thesis (Master of Arts). University of Kansas, Kansas City, 2007.

SOMMER, D. The Work of Art in the World: Civic Agency and Public Humanities. New York: Duke University Press, 2014.

SONTAG, S. Notas sobre Camp. In: ______. Contra a interpretação. Porto Alegre: L&PM, 1987. p. 318-337.

ZUPANČIČ, A. A ética do Real e o bem comum (parte 2) – Entrevista. LavraPalavra. Ago. 2015. Disponível em: <https://lavrapalavra.com/2015/08/27/a-etica-do-real-e-o-bem-comum-parte-ii>. Acesso em: 01 jul. 2021.

ZUPANČIČ, A. Ética de lo real: Kant, Lacan. Trad. Gabriel Merlino. Buenos Aires: Prometeo, 2010 [2000].

Downloads

Publicado

05-11-2023

Como Citar

Alves, W. (2023). Gradação e transbordamento do desejo em La orgía, de Enrique Buenaventura. Revista Falange Miúda, 8(2), 143–162. Recuperado de https://periodicos.upe.br/index.php/refami/article/view/372