Gradação e transbordamento do desejo em La orgía, de Enrique Buenaventura
Palavras-chave:
La orgía, Enrique Buenaventura, teatro colombiano, Teatro de Transformação Social, desejoResumo
Neste artigo, proponho uma leitura da peça curta La orgía, do dramaturgo colombiano Enrique Buenaventura, para discutir sua configuração formal gradativa e os modos como certas relações entre sujeito, ritual e trabalho se articulam e, ao mesmo tempo, se desestabilizam ante a emergência anárquica de uma verdadeira orgia, no texto literário-dramatúrgico da peça. Desse modo, opera-se uma sucessão de inversões e contrastes (entre personagens e temporalidades) por meio das quais a potência do desejo desmonta as ilusões criadas ao redor de uma memória (individual e cultural) alienada que procura controlar a todos na trama. Essas operações desmascaram a opacidade da representação dessa memória a partir de jogos de linguagem, de certa performance cênica e do brincar, recursos que colocam em tensão os sujeitos e não sujeitos em cena e promovem um transbordamento da ordem e dos sentidos da virtualidade cênica.
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