Infâncias roubadas nas vozes que se calam: uma leitura do conto de fadas “Pele de Asno” [s.d.] contrapondo ao miniconto “Cicatriz” (2015)

Autores

Palavras-chave:

Infância, Família, Violência.

Resumo

Este estudo aborda a representação literária da violência infantil, procurando identificar os tipos de violência a que é submetida a criança e que estão problematizados ou abordados em narrativas literárias destinadas tanto ao público adulto quanto infantil. Estabelece-se, no processo de interpretação dos textos, uma inter-relação entre arte e sociedade, a fim de promover o aprofundamento de questões relativas ao tema e de ressaltar as semelhanças e diferenças entre as diversas formas de narrar e representar a violência infantil. Para isso, são examinados objetos artísticos produzidos em contextos socioculturais distantes de modo a analisar a violência contra a criança e a postura desta nas narrativas. Para desenvolver esta proposta, foi adotada a pesquisa bibliográfica e o método comparatista da Literatura Comparada, que fundamenta o cotejo de narrativas produzidas em épocas distintas. O estudo será amparado teoricamente em proposições de Henry Remak (1994), comparatista americano, Sigmund Schlomo Freud (1905), Antonio Cândido (2000), dentre outros. A análise comparatista envolve o exame de dois objetos literários: um conto de fadas e um miniconto. Para isso, são cotejados o conto “Pele de Asno”, do escritor francês Charles Perrault, e o miniconto “Cicatriz”, de Flora Medeiros, textos que espelham a sexualidade, especificamente a questão do incesto. Sob olhar reflexivo acerca das narrativas e levando em consideração o impacto da violência estrutural e conjuntural nas relações interpessoais e sociais, a qual interfere na configuração dos textos literários, constata-se que as duas narrativas, em termos estéticos e conteudísticos, problematizam a violência contra a criança e expressam um valor social por possibilitar a ampliação da quebra do silêncio na literatura ao tratar de abusos corporais e psíquicos projetados na infância, dando, assim, representatividade à infância roubada e aos sujeitos-crianças cujas histórias são repletas de práticas de violência.

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Publicado

30-11-2023

Como Citar

Juliane Della Méa. (2023). Infâncias roubadas nas vozes que se calam: uma leitura do conto de fadas “Pele de Asno” [s.d.] contrapondo ao miniconto “Cicatriz” (2015). Revista Falange Miúda, 6(1), 28–41. Recuperado de https://periodicos.upe.br/index.php/refami/article/view/397

Edição

Seção

Estudos Linguísticos e Literários