Sobre a Glória de si: masculinidade e branquitude no conto Maria Cora, de Machado de Assis

Autores

Palavras-chave:

Machado de Assis, branquitude, masculinidade

Resumo

O presente artigo intenta, a partir dos trabalhos de R.W Connell e Joane Nagel, uma análise do conto Maria Cora, de Machado de Assis, do livro Relíquias da casa velha, publicado em 1906, com o objetivo de identificar as relações existentes entre a masculinidade hegemônica de fins do século XIX e as relações de poder, interseccionadas aos eixos de gênero/sexualidade, raça e classe, existentes na sociedade brasileira da época. Para isso analisarei, primeiramente, os recursos formais do conto, levando em conta o foco narrativo da obra, para posteriormente identificar como a masculinidade emulada vincula-se às elites brasileiras, ao projeto eurocêntrico de nação futura (que possui o branqueamento racial, a hierarquia de gênero e o agenciamento do desejo como traços estruturantes fundamentais) e à branquitude enquanto espaço ideológico de poder, conforme conceitualizado pela pesquisadora Lia Vainer Schucman.

Referências

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Publicado

30-11-2023

Como Citar

José Victor Nunes Mariano. (2023). Sobre a Glória de si: masculinidade e branquitude no conto Maria Cora, de Machado de Assis. Revista Falange Miúda, 6(1), 75–88. Recuperado de https://periodicos.upe.br/index.php/refami/article/view/400

Edição

Seção

Estudos Linguísticos e Literários