Atos de ameaça à face:
uma análise de entrevistas com usuários de Libras sob a perspectiva da teoria da polidez
Palavras-chave:
Libras; Ameaça à face; PolidezResumo
A língua, quando considerada em termos de funcionalidade, proporciona uma variedade de possibilidades semióticas aos seus usuários, permitindo-lhes fazer escolhas linguísticas que melhor atendam aos propósitos e intenções comunicativas durante uma interação. Essas escolhas linguísticas geram construções de significado específicas podendo resultar em efeitos e reações distintas no processo comunicativo, dependendo do contexto, dos valores sociais, culturais e da experiência dos participantes (HALLIDAY, 1994). O objetivo deste estudo é investigar as interações entre usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras) por meio de entrevistas mediadas, identificar quais recursos de preservação e reparo à face positiva são utilizados pelos participantes quando confrontados com atos explícitos e enfáticos de ameaça à face. Essa pesquisa qualitativa e aplicada baseou-se nos pressupostos teóricos e metodológicos da Teoria da Polidez (BROWN; LEVINSON, 1987) e da Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY, 1994). Embora os participantes se comportem de maneira linguística distinta em cada situação analisada, eles tendem a intensificar o uso de recursos de sinalização para modalização e dispositivos de polidez positiva ao realizar ações reparadoras, a fim de mitigar os efeitos dos atos de ameaça à face. Empregando estratégias para estabelecer equilíbrio de posição social entre os participantes ou para manter a cooperação e a continuidade da interação.
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