Perfil epidemiológico do uso de sistemas de fixação pela Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Faciais em um Hospital Universitário
DOI:
https://doi.org/10.70678/rctbmf.v23i4.813Palavras-chave:
Dispositivos de Fixação Cirúrgica, Fixação de Fratura, Fixadores Internos, Dispositivos de Fixação Interna, Cirurgia Ortognática, Procedimentos de Cirurgia Plástica, Procedimentos Cirúrgicos ReconstrutivosResumo
Introdução: O tecido ósseo é um tipo de tecido conjuntivo especializado, caracterizado pelo seu metabolismo dinâmico. Ao sofrer um trauma, podendo ser cirúrgico (como osteotomias) ou não cirúrgico, resultando em uma fratura, o osso passa por dois processos de cicatrização, primária e secundária. A primária é caracterizada pelo mínimo movimento entre os fragmentos, e ocorre na presença de estabilização, sendo muitas vezes a fixação interna (FI) responsável por isso. A secundária ocorre na presença de um gap entre os fragmentos ósseos, na ausência de estabilização. Ambas resultam em consolidação óssea, mas apenas a primeira garante recuperação precoce de função (como fala e mastigação) e da estética facial do paciente. Objetivos: O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento epidemiológico a respeito do uso dos sistemas de fixação interna utilizados pela Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo-faciais no Hospital Universitário da UFPI. Metodologia e Resultados: Pesquisa submetida e liberada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HU-UFPI com o número CAAE: 52493221.9.0000.8050. Foram coletados dados de 271 procedimentos registrados no sistema do hospital. Havendo 228 pacientes no total, 69 que realizaram cirurgia em outro estabelecimento de saúde, mas apresentando falha de FI com indicação de remoção; divididos em sub-áreas, 146 procedimentos foram de trauma de face, 40 de correção de deformidades dentofaciais, 28 de ressecção de tumores e 14 de cirurgia reconstrutiva. Os sítios anatômicos onde houve maior número de instalação e remoção de FI foram: mandíbula, complexo órbito-zigomático-maxilar e maxila. Cirurgia reconstrutiva foi a subárea que teve três abordagens com substituição de FI, sendo em todas o sítio anatômico a mandíbula. As principais falhas de FI encontradas foram infecção e exposição. Conclusão: Tem se mostrado uma tarefa difícil determinar as razões pelas quais um sistema de fixação deve ser removido, mesmo quando este apresenta falha. Não há consenso entre os cirurgiões sobre um protocolo de remoção de FI após o período de consolidação óssea ter passado, mas é sugerido por alguns remover as placas e parafusos após um período de 3 meses, a fim de evitar sensibilidade, palpabilidade e outras complicações, no entanto é necessário considerar a morbidade de um segundo procedimento.
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