Ensino de Geografia para sujeitos surdos: Libras como ferramenta inclusiva na cultura surda
DOI:
https://doi.org/10.70678/refami.v10i2.1449Palavras-chave:
Geografia e cultura surda, Ensino de Geografia, Sujeitos SurdosResumo
O presente artigo resulta de reflexões teóricas e empíricas acerca do ensino de Geografia para sujeitos surdos, tomando a Libras (Língua Brasileira de Sinais) como língua de instrução no processo de ensino e aprendizagem, e não apenas como uma ferramenta instrumental de inclusão. Parte-se do pressuposto de que o acesso à língua materna constitui condição fundamental para a construção do conhecimento escolar e para a participação efetiva dos estudantes surdos no ambiente educacional, especialmente no que se refere à aprendizagem de conteúdos geográficos. A pesquisa foi desenvolvida a partir de observações em salas de aula da Educação Básica em escolas da cidade de Rio Branco, no estado do Acre, no ano de 2023, nas quais há estudantes surdos matriculados e acompanhados pelo Centro de Apoio ao Surdo (CAS). Nessas turmas, busca-se garantir aos alunos o acesso à Libras como língua materna no processo de aprendizagem do componente curricular de Geografia. Do ponto de vista metodológico, trata-se de uma investigação de natureza qualitativa, que articula observações em sala de aula e revisão bibliográfica. O referencial teórico fundamenta-se em autores que discutem o ensino de Geografia e a educação de sujeitos surdos, destacando-se Cavalcanti (2005) e Gonçalves (2019), no campo do ensino de Geografia, e Perlin (2004), Quadros (2002) e Silva (2025), nas discussões sobre surdez, cultura surda e Libras. Os resultados evidenciam a relevância da atuação do profissional TILSP (Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais e Português) como mediador linguístico no processo educativo. A interlocução entre o professor regente e o TILSP mostra-se fundamental para garantir a comunicação e favorecer o acesso dos estudantes surdos aos conteúdos trabalhados em sala
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