Sobre reflexões e repúblicas: a tradução do diálogo em drama
About reflections and republics: the translation of dialogue into drama
Palavras-chave:
A Procissão do Sayré, A República, narrativa, dramaResumo
O presente artigo analisa alguns aspectos de A procissão do Sayré, texto teatral de José Paes Loureiro, de 1976, em contraposição ao diálogo platônico A República. Partindo de uma discussão entre ser e parecer, o texto teatral vai ser perscrutado tendo em vista alguns debates antigos estabelecidos por Sócrates e seus interlocutores. Enquanto, de um lado, Sócrates conduz o debate no diálogo platônico e, ao ouvir e interrogar os seus interlocutores, planeja um modelo ideal de cidade, de outro, Dioniso, diante da República que dirige, escolhe não escutar seus conselheiros e se tornar aquilo que desejava parecer. No fundo da cena, o canto do Uirapuru dissolve as aparências e conta o que estava acontecendo. Mas ninguém ouve o seu canto e a procissão do Sayré chegam à República, acreditando estar ali a terra verde prometida. Equacionando esses elementos, o artigo apresenta um recorte de leitura que privilegia algumas tradições gregas mobilizadas pela peça e a discussão sobre o estatuto das narrativas simples e mista que aparece no texto de Platão. Chegamos, assim, na reflexão sobre a tradução entre gêneros literários, ou em como Loureiro traduz A República em drama.
Referências
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