As pessoas simples de Odile: voz, corpo e reexistência
Palabras clave:
La chanson de Philibert ou Les gens simples, Corpo-memória, Práticas de resistênciaResumen
Neste artigo, tomamos o texto teatral La chanson de Philibert ou Les gens simples, urdido na capital de Guiana Francesa, Caiena, em 1996, pela dramaturga, diretora e atriz Odile Pedro Léal, com o objetivo de apresentar uma reflexão acerca da representação da gente simples anunciada nas entrelinhas do texto, assim como analisar a constituição de sua identidade através do corpo memória que dança. Considerando os objetivos propostos, nosso artigo segue dois caminhos. No primeiro, direcionaremos nosso olhar à representação da gente simples que se evidencia nos fios do texto. No segundo, investigaremos como se constitui a identidade e práticas de resistência e de reexistência dessa gente simples a partir do corpo-sujeito-memória que dança. Para tanto, partiremos dos conceitos de representação (HALL, 2016); de colonialidade da linguagem (BAPTISTA, 2022; MIGNOLO, 2017); e do corpo como lugar de memória (MARTINS, 2003; NORA, 1997). Por fim, apresentaremos, nas considerações finais, as conclusões a que chegamos após refletirmos sobre a urdidura dessa peça que, segundo nos adverte Elie Stephenson, no prefácio desse texto, se situa na contramão da vontade de verdade de que as pessoas felizes, as pessoas simples não têm história.
Palavras-chave: La chanson de Philibert ou Les gens simples, Corpo-memória, Práticas de resistência.
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