O JARDIM DE ALICE, O PRÉDIO DE SOPHIA, AS CRÔNICAS DO PEIXEIRO
uma análise do romance de Luiza F de Camargo Pacheco
DOI:
https://doi.org/10.70678/refami.v9i1.388Keywords:
Luiza F. de Camargo Pacheco., Sophia Hayden., Romance., Literatura de autoria feminina., Crônica.Abstract
O romance Alice, de Luiza F. de Camargo Pacheco, publicado em Campinas – SP, em 1903, ajuda a retratar as dificuldades encontradas por mulheres em busca de legitimação como escritoras. Essas dificuldades são representadas ficcionalmente a partir da comparação entre dois espaços de intervenção humana: o jardim oferecido pelo esposo da protagonista como presente de casamento e um edifício projetado pela arquiteta chileno-estadunidense Sophia Hayden, para a Exposição de Chicago (1893). Na obra, o jardim evoca as convenções sociais que prendiam a mulher ao espaço doméstico, e o prédio de Hayden mostra a capacidade criadora da inteligência feminina atuando em contextos até então exclusivamente masculinos. Contudo, embora a narrativa de Pacheco teça loas à capacidade da mulher, este trabalho tensiona a visão da autora comparando a recepção preconceituosa do trabalho de Hayden em crônicas publicadas no jornal Correio Paulistano, no mesmo ano de realização do evento. Nesse sentido, a partir de revisão bibliográfica e pesquisa em periódicos da época, este trabalho tem por objetivo analisar como esses dois ambientes, respectivamente e em contraste, figuram os espaços sociais tradicionalmente atribuídos às mulheres brasileiras no século XIX (a casa, o jardim, o convento) e aqueles que a luta de emancipação feminina foi historicamente conquistando (o escritório, a engenharia, a literatura). Para tanto, recorreu-se aos estudos de Araújo (2000), Bianco (2012), Bourdieu (2012), Lima (2014), Muzart (1995), Nader (2001), Rebello (2015), entre outros.
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