Aktionsart e morfologia distribuída: sufixos iterativos no português do brasil

Autores

Palavras-chave:

Aktionsart, Morfologia Distribuída, Iteratividade, Sufixos, português do Brasil

Resumo

O presente trabalho adota os pressupostos da Morfologia Distribuída (HALLE & MARANTZ, 1993; MARANTZ, 1997; HARLEY & NOYER, 1999; EMBICK, 2000) referentes à inserção tardia de itens vocabulares, à subespecificação de expressões fonológicas quanto às posições sintáticas e ao acesso da hierarquia e de processos sintáticos ao “léxico” na derivação. Adotase, também, o pressuposto referente à existência de restrições aspectuais por parte de raízes na adjunção a certos morfemas categorizadores (OLIVEIRA, 2008). O objetivo geral deste trabalho é contribuir para a descrição da iteratividade nas línguas naturais. Os objetivos específicos são: a) averiguar a pertinência da postulação (CUNHA & CINTRA, 2013) de uma especialização frequentativa aos sufixos “-icar”, “-itar”, “-ilhar”, “-inhar” e “-iscar” e b) investigar os contextos de ocorrência de tais sufixos no português do Brasil. As hipóteses deste trabalho são: a) os sufixos sob análise são especificados para o traço [+iterativo] e b) há restrições aspectuais quanto ao aktionsart da raiz adjungida a tais sufixos. Os dados analisados foram retirados de dicionários e foram expostos informalmente a julgamentos de aceitabilidade por falantes nativos. Os resultados deste trabalho sugerem que tais sufixos são especificados para o traço de iteratividade. Além disso, há restrições quanto ao aktionsart das raízes, de forma que raízes télicas (achievement e accomplishments) prototipicamente se combinam com tais sufixos.

Referências

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Publicado

30-11-2023

Como Citar

MATHEUS GOMES ALVES. (2023). Aktionsart e morfologia distribuída: sufixos iterativos no português do brasil. Revista Falange Miúda, 6(2), 1–16. Recuperado de https://periodicos.upe.br/index.php/refami/article/view/390

Edição

Seção

Estudos Linguísticos e Literários