O comportamento da primeira pessoa do plural no falar culto e no falar popular de Fortaleza-CE: uma análise variacionista
Palavras-chave:
Variação, Pronomes nós/ a gente, Norma popular, Norma CultaResumo
O presente estudo, partindo do arcabouço teórico metodológico utilizado pela Teoria da Variação e da Mudança Linguística, delineado por Weinreich, Labov e Herzog (1968) e por Labov (1997, 2001, 2003), objetiva analisar a variação pronominal de primeira pessoa do plural, nós e a gente, no falar popular e no falar culto de Fortaleza-CE. Para tanto, utilizamos uma amostra composta por 18 informantes provenientes do banco de dados Norma Oral do Português Popular de Fortaleza (NORPOFOR), estratificados de acordo com o sexo/gênero, a faixa etária e a escolaridade; e de outros 18 informantes oriundos do Projeto Português Oral Culto de Fortaleza (PORCUFORT), sendo esses socialmente estratificados de acordo com o sexo/gênero e a faixa etária. Com o auxílio do programa computacional GoldVarb X, analisamos 999 ocorrências de nós e a gente na fala popular; e 607 ocorrências dessas variantes na fala culta dos fortalezenses. Com esse total, verificamos que a variante a gente é utilizada com mais frequência que a forma padrão nós, tanto na fala popular (65,8% e 34,2%, respectivamente), quanto na fala culta (68,4% e 31,6%). Além disso, constatamos que os fatores mais relevantes que condicionam o uso da variante não padrão em nossa amostra foram a referência do pronome (sentido genérico) e a faixa etária (mais jovens).
Referências
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