Do ethos hedonista como projeção de um ideal cultural
Resumo
O hedonismo é uma das mais antigas perspectivas filosóficas acerca do agir moral, desenvolvendo-se, da Antiguidade Clássica grega aos nossos dias, em distintas teorias éticas e políticas. Seu cerne é o princípio de que não há, nem para o ser humano, nem para qualquer ser sensível, finalidade alguma a ser buscada que seja superior ao prazer. Na consideração do prazer, contudo, surgem algumas variações e discordâncias, que caracterizam teorias hedonistas distintas. Destarte, alguns assumem a existência de prazeres da alma, outros os descartam; uns afirmam que prazer e felicidade são a mesma coisa, enquanto outros negam isso. Em meio a essa diversidade, nosso propósito, neste artigo, é abordar aquelas que seriam, quiçá, as teorias éticas hedonistas mais relevantes no contexto histórico da Grécia Antiga – o hedonismo cirenaico e o epicurismo – e destacar seu papel como fundamento dos modos de vida daqueles que as sustentavam, nos quais se pode ver o engendramento de um autêntico ethos filosófico-hedonista, que manifesta um ideal cultural peculiar.