“Criada eu; vossa mercê se engana. Eu sou ama somente.” Demandas e resistências por melhores condições de trabalho doméstico no Recife na segunda metade do século XIX
Palavras-chave:
Trabalhadores domésticos, Demandas, Resistências, Privilégios.Resumo
Este artigo aborda as demandas e resistências de trabalhadores domésticos, libertos e livres, por condições de trabalho mais favoráveis e direitos no Recife na segunda metade do século XIX, durante a crise do escravismo. Analisa as experiências dos trabalhadores de acordo com a noção de transcrição oculta (Scott, 1990), em que criados e amas praticaram atos de resistência. Periódicos, documentação policial, petições de pagamento de salários não pagos informam sobre os movimentos dos trabalhadores que giraram em torno de, pelo menos, cinco aspectos: a delimitação das tarefas desempenhadas e da jornada de trabalho, a morada independente, o bom tratamento e a remuneração monetária. Por outro lado, os dominantes erigiram obstáculos para os trabalhadores domésticos não conquistarem direitos e assim conservarem seus privilégios, processo aprofundado em 1870, quando a crise do sistema escravista se agravou.