Interação dos surdos de Brasiléia com os surdos de Cobija: relações na região de fronteira
DOI:
https://doi.org/10.70678/refami.v10i2.1401Keywords:
Interlíngua, Região de Fronteira, SurdosAbstract
As cidades de Brasiléia (Acre) e de Cobija (Bolívia) estão localizadas na região de fronteira entre o Brasil e a Bolívia, sendo um espaço no qual brasileiros e bolivianos transitam constantemente. Nesses locais, normalmente, é utilizada uma interlíngua, ou seja, uma língua intermediária entre os usuários do português (brasileiros) e do espanhol (bolivianos), e de outras línguas orais utilizadas nos dois países. Além das línguas orais, há também as línguas de sinais utilizadas nessas regiões de fronteira, entre elas, a Libras e a Língua de Sinais Boliviana. Assim, o presente artigo tem como objetivo descrever como ocorre a interação entre os surdos que transitam nesta região, trazendo reflexões sobre a possível utilização de uma interlíngua sinalizada e da alternância entre a Libras e a Língua de Sinais Boliviana. O estudo foi realizado a partir de levantamentos bibliográficos e de uma entrevista com dois surdos que moram na região de fronteira Brasil/Bolívia, tratando-se de uma pesquisa qualitativa, com objetivos descritivos. Como embasamento para o trabalho foram utilizados os estudos de Calvet (2002), Albuquerque (2006) e Miranda (2020). Foi possível observar que os surdos que moram nesta região, e transitam entre os dois países, tendem a usar o espanhol e o português escritos, principalmente para se comunicarem com pessoas ouvintes; em relação ao uso das línguas de sinais, utilizam a LSB e a Libras, sendo que, a depender do(s) interlocutor(es) é usada uma mescla de sinais de ambas as línguas constituindo-se, assim, uma interlíngua sinalizada.
References
ALBUQUERQUE, José Lindomar Coelho. A dinâmica das fronteiras: deslocamento e circulação dos “brasiguais” entre os limites nacionais. Porto Alegre: Horizontes Antropológicos [online] 2009, vol.15, n/31, pp. 137-166/ Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/ha/v15n31/a06v1531.pdf. Acesso em 09 out 2024.
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº
436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a língua de sinais - Libras e o Art.
da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Disponível em
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004
/2005/Decreto/D5626.htm. Acesso em 30 jan. 2025.
BRASIL. Lei 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de
Sinais – Libras e dá outras providências. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 15
fev. 2025.
CALVET, Louis-Jean. Sociolinguística: uma introdução crítica. (Trad. de Marcos
Marcionilo). São Paulo: Parábola Editorial, 2002.
CERQUEIRA, Ivanete de Freitas; TEIXEIRA, Elizabeth Reis. O que a história nos
conta sobre as línguas de sinais. Muiraquitã: Revista de Letras e Humanidades.
Jul-Dez, v. 10, n. 2, 2022, p. 268-286.
GESSER, Audrei. LIBRAS? Que língua é essa?: crenças e preconceitos em torno da
língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
MEREDITH, Robert. História do teatro surdo nos Estados Unidos. Nova York:
Deaf Cultural Press, 2014.
MINISTERIO DE EDUCACIÓN, (Org.). Curso de Ensenãnza de La Lengua de
Señas Boliviana: Módulo 1, 2, 3 e 4. La Paz, Bolivia: Ministerio de Educación,
MIRANDA, João Paulo Romero. Contato linguístico da modalidade espaço
visual: língua brasileira de sinais e língua de sinais boliviana na fronteira.
Dissertação de mestrado, programa de pós-graduação em linguística.
Florianópolis, SC, 2020.
MIRANDA, João Paulo Romero. et al. Língua Brasileira de Sinais e Língua de Sinais
Boliviana em contato. Revista Philologus, Ano 29, n. 85 Supl., Rio de Janeiro:
CIFEFIL, jan./abr.2023.
MORAES, Lourival Monteiro de. Bilinguismo e jogo de identidades na região
de fronteira: A Escola Eutrópia Gomes Pedroso de Corumbá. Dissertação
(Mestrado em estudos fronteiriços). Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - Campus do Pantanal. Corumbá, 2012.
PRETI, Dino Fioravante. Sociolinguística, os níveis da fala: um estudo
sociolinguístico do diálogo literário. São Paulo: Editora Nacional, 3ª ed., 1977.
PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar de. Metodologia do
trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2.
ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.
QUADROS, Ronice Muller de. Educação de Surdos: aquisição da linguagem. Porto
Alegre: Artmed, 1997 [2008].
QUADROS, Ronice Muller de. Libras: Linguística para o ensino superior 5. São
Paulo: Parábola, 2019.
QUADROS, Ronice Mullher; KARNOPP, Lodenir Becker. Língua de sinais
brasileira: Estudos linguísticos. Porto Alegre: Artes Médicas, 2004.
SÁ, Nídia Limeira de. Existe uma cultura surda? In: SÁ, Nídia Limeira de Cultura,
poder e educação de surdos. São Paulo:Paulinas, 2006, p. 9-18.
SECRETARIA DO ESTADO DE EDUCAÇÃO/MG. Centro de Capacitação de
Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez:
Histórico e Diretrizes de Funcionamento. Belo Horizonte, 2016.
STROBEL, Karin Lilian. As imagens do outro sobre a cultura surda. 4. ed. 1
reimp. Florianopólis: Ed. da USFC, 2018.
STROBEL, Karin Lilian. História da educação dos surdos. Universidade Federal
de Santa Catarina. Florianópolis, 2009.
VARGAS, Vivian Gonçalves Louro; SOUZA, Shelton Lima de. O despertencimento
dos sujeitos surdos no ambiente escolar “ouvinte”: identidades, discursos de
minorização e resistências. South American Journal of Basic Education,
Techinical and Technological. Rio Branco, UFAC v.8 n.2 (2021): Edição jan/abr. – p. 889-903.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 Revista Falange Miúda

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.









