Entre o Evangelho e o Capital: cristãos e marxistas no Brasil dos anos sessenta ao redor da ideia de cultura
Palavras-chave:
Paulo Freire, anos sessenta, cultura, cristianismo, marxismoResumo
Paulo Freire iniciou a sua vida como um educador popular no Serviço de Extensão Cultural da então Universidade do Recife, em 1960. E iniciou também como criador e participante ativo dos “movimentos de cultura popular” do início dos “anos sessenta”, no Brasil. Tendo como foco as ideias e propostas de Paulo Freire, ao pensar a educação como cultura, a cultura como política e a política como a construção humana da vida no acontecer da história, este escrito apresenta e comenta documentos de pessoas e de coletivos então vinculados aos movimentos de cultura popular. De passagem este escrito retoma alguns pontos hoje esquecidos a respeito das relações entre militantes cristãos e marxistas ao longo dos “anos sessenta”. Boa parte do que anos mais tarde surgiu entre a academia e a escola sob nomes como: “transdisciplinaridade”, “multiculturalismo”, “diálogo”, em boa medida é uma herança tardia do que a partir do “legado freireano”, foi pensado, partilhado e vivido entre os anos sessenta, a conhecida “década que não acabou”. A maior parte das palavras “entre aspas” neste artigo tem a ver com expressões então comuns e correntes.