O aporte do sincretismo religioso para a reconstrução da África portuguesa pós-colonial em O outro pé da sereia
DOI:
https://doi.org/10.70678/revistaescripturas.v6i1.972Resumo
O artigo discute a relevância no romance O outro pé da sereia, de Mia Couto, do sincretismo religioso, desde a fase da colonização, na África portuguesa, até o seu processo de descolonização, após as últimas guerras do século XX. Assim, aborda-se a obra em questão como uma narrativa pós-colonial que se desenvolve pela continuidade história/memória no processo de reconstrução de uma nova África, cuja identidade se realiza pela recriação de seus mitos ligados a um discurso colonial cristão. Este artigo se estrutura por uma fundamentação teórica baseada nos seguintes eixos: sincretismo (BOFF, 1994), relação história/memória (HALBWACHS, 2006), mito (ELIADE, 1972) e objetos biográficos (BOSI, 1994). A intenção é se compreender como O outro pé da sereia ressignifica os mitos Nzuzu/Kianda dentro da imagem de um pé decepado de Nossa Senhora, o que dá voz a uma nova África que assimila mitos estrangeiros acomodando-os aos seus, numa singular voz de resistência.