Ações Afirmativas nas Universidades Federais
Uma Cartografia Das Disputas Simbólicas E Institucionalização Interseccional
DOI:
https://doi.org/10.70678/sala8.v1i10.1548Palavras-chave:
Ação Afirmativa, Universidade Públicas, Inclusão SocialResumo
Este trabalho analisa criticamente as ações afirmativas nas universidades federais brasileiras, destacando sua materialização institucional e os sentidos simbólicos que assumem no campo educacional. Fundamenta-se na concepção de política como Estado em ação (Azevedo, 2001), articulada aos conceitos de habitus e poder simbólico (Bourdieu, 1983, 1997, 1999), interseccionalidade (Crenshaw, 2002) e políticas como campos de disputa (Marques; Andrade; Azevedo, 2017). A pesquisa adota abordagem documental, examinando os sítios de 69 universidades federais e mapeando núcleos voltados à inclusão de pessoas com deficiência (NAI/NACE), educação para relações étnico-raciais (ERER), diversidade sexual e de gênero (LGBTQIAPN+) e direções de ações afirmativas (DAA). Os resultados apontam heterogeneidade: algumas universidades consolidam núcleos interseccionais, enquanto outras carecem de estruturas mínimas, sobretudo nos eixos étnico-raciais e LGBT. Tal fragmentação expressa contradições do Estado em ação e formas de violência simbólica. Como limitação, reconhece-se a dependência de dados documentais. Conclui-se que democratizar a educação superior exige práticas institucionais interseccionais além da criação de estruturas formais.