Ludicidade e aprendizagem nos anos finais do Ensino Fundamental: percepções de docentes e discentes
Palabras clave:
Ludicidade;, Ensino de Língua Portuguesa;, Ensino Fundamental II;, Semântica de Frames.Resumen
Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa sobre as conceptualizações emergentes dos discursos de docentes e discentes de uma rede pública de ensino acerca da ludicidade. No estudo realizado, investigou-se a maneira pela qual esses participantes dos processos de ensino e aprendizagem avaliam as atividades lúdicas realizadas em ambiente escolar. A discussão proposta assume que a ludicidade representa um caminho para criar experiências significativas de aprendizado (LUCKESI, 2005; LOPES, 2014), incluindo experiências de práticas de linguagem na aula de Língua Portuguesa. A pesquisa qualitativa de viés interpretativista (DENZIN; LINCOLN, 2006; MOITA-LOPES, 1994) foi desenvolvida na rede municipal de ensino de Comendador Levy Gasparian, Rio de Janeiro. Neste texto, buscamos fundamentar teoricamente as relações assumidas entre a ludicidade, a experiência humana e a aprendizagem (CAILLOIS, 2017; HUIZINGA, 2000; PIAGET, 2017; VYGOTSKY, 2008), observando as formas pelas quais aquela se faz presente na educação e no desenvolvimento humano de modo geral. Com o intuito de identificar a maneira pela qual discentes e docentes, da referida rede de ensino, conceptualiza a ludicidade a partir de suas experiências educacionais, foi realizada a análise dos relatos produzidos por tais atores com os instrumentos fornecidos pela
Semântica de Frames (FILLMORE, 1982) e o projeto lexicográfico FrameNet. Como pretende demonstrar, a análise desses discursos é válida e justifica a utilização da ludicidade como estratégia pedagógica em turmas dos anos finais do Ensino Fundamental.
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