Veneno nos campos da vida: reflexões ecocríticas em A árvore mais sozinha do mundo, de Mariana Salomão Carrara
Palavras-chave:
Ecocrítica, Literatura, TécnicaResumo
O artigo analisa o romance A árvore mais sozinha do mundo (2024), de Mariana Salomão Carrara, para avaliar contribuições do texto literário na reflexão sobre a alienação no trabalho rural e a subordinação dos indivíduos à lógica produtiva imposta pelo advento da técnica moderna. O enredo segue a vida de uma família de colonos que, sob o domínio da cultura do tabaco, se vê imersa em uma rotina repetitiva e opressiva, em razão da qual os desejos individuais são suprimidos pela lógica impessoal da produção. A narração acontece pela perspectiva de uma árvore e outros objetos da casa, de maneira a emular uma vertente da experiência fenomenológica que escapa à linguagem científica. Diante disso, o trabalho aborda, por meio da filosofia e da estética literária, em uma perspectiva ecocrítica, a racionalização da vida, a dissolução da individualidade e a fusão entre humanos, não humanos e tecnologia. Espera-se, com isso, destacar, a partir da obra, implicações filosóficas das formas de compreensão, produção e consumo em torno da natureza.
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