Veneno nos campos da vida: reflexões ecocríticas em A árvore mais sozinha do mundo, de Mariana Salomão Carrara

Autores

Palavras-chave:

Ecocrítica, Literatura, Técnica

Resumo

O artigo analisa o romance A árvore mais sozinha do mundo (2024), de Mariana Salomão Carrara, para avaliar contribuições do texto literário na reflexão sobre a alienação no trabalho rural e a subordinação dos indivíduos à lógica produtiva imposta pelo advento da técnica moderna. O enredo segue a vida de uma família de colonos que, sob o domínio da cultura do tabaco, se vê imersa em uma rotina repetitiva e opressiva, em razão da qual os desejos individuais são suprimidos pela lógica impessoal da produção. A narração acontece pela perspectiva de uma árvore e outros objetos da casa, de maneira a emular uma vertente da experiência fenomenológica que escapa à linguagem científica. Diante disso, o trabalho aborda, por meio da filosofia e da estética literária, em uma perspectiva ecocrítica, a racionalização da vida, a dissolução da individualidade e a fusão entre humanos, não humanos e tecnologia. Espera-se, com isso, destacar, a partir da obra, implicações filosóficas das formas de compreensão, produção e consumo em torno da natureza.

Biografia do Autor

Leandro Moreto da Rosa, Universidade Feevale

Graduado em Filosofia (UNISINOS) e em Letras (FEEVALE). Atualmente, é mestrando no PPG em Processos e Manifestações Culturais, com bolsa PROSUC/CAPES, pela Universidade Feevale. 

Ernani Mügge, Universidade Feevale

Doutor em Literatura Brasileira, Portuguesa e Luso-africana (UFRGS), com pós-doutorado em Cultura e Literatura (PNPD/CAPES). Pesquisador e professor no curso de Letras e no Programa de Pós-Graduação em Processos e Manifestações Culturais (Universidade Feevale) e no curso de Letras da Faculdade Instituto Ivoti. Coordena o projeto Estudos ecocríticos e as cenas literárias do passado: análise de textos literários, cartas, diários, memórias e relatos de viagens dos imigrantes germânicos, alemães e seus descendentes na região sul do Brasil”, apoiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS).

Referências

ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

AGAMBEN, Giorgio. O fogo e o relato: ensaios sobre criação, escrita, arte e livros. São Paulo: Boitempo Editorial, 2018.

ARISTÓTELES. Metafísica: 1. Petrópolis: Editora Vozes, 2024.

BARTHES, Roland. A aula. São Paulo: Cultrix, 2017.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1987.

CAMUS, Albert. A peste. Rio de Janeiro: Record, 2024.

CARRARA, Mariana Salomão. A árvore mais sozinha do mundo. São Paulo: Todavia, 2024.

CARSON, Rachel. Primavera Silenciosa. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1969.

DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

DREHER, Martin N. Breve história das imigrações alemãs para o Brasil. São Leopoldo: Oikos, 2024.

ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

ECO, Umberto. Sobre literatura. Rio de Janeiro: BestBolso, 2011.

GARRARD, Greg. Ecocrítica. Brasília: Editora UNB, 2006.

GRAHAM, Gordon. Philosophy of the arts: an introduction to aesthetics. New York: Routledge, 2005.

GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas: Papirus, 1990.

HADDOT, Pierre. O Véu de Ísis: ensaio sobre a história da idéia de natureza. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

HAN, Byung-Chul. A crise da narração. Petrópolis: Vozes, 2023.

HAN, Byung-Chul. Louvor à Terra: uma viagem ao jardim. Petrópolis: Vozes, 2021.

HEIDEGGER, Martin. A questão da técnica. Scientia Estudia, São Paulo, v. 5, n. 3, p. 375-398, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ss/a/QQFQSqx77FqjnxbGrNBHDhD/. Acesso em: 15 nov. 2024.

HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Petrópolis: Vozes, 2015.

HEISE, Ursula K. Science and Ecocriticism. The American Book Review, v. 18, n. 5, p. 1-4, 1997.

KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. Coimbra: Fundação Calouste, 2001.

KANT, Immanuel. Resposta à Questão: O que é Esclarecimento? Cognitio, São Paulo, v. 13, n. 1, p. 145-154, jan./jun. 2012. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/cognitiofilosofia/article/view/11661/8392. Acesso em: 20 nov. 2024.

LAMARQUE, Peter. Literature and truth. In: HAGBERG, Garry; JOST, Walter (Orgs.). A companion to the philosophy of literature. New Jersey: Blackwell Publishing Ltd, 2010. p. 367-384.

LÖWY, Michael. Aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre o conceito de História”. São Paulo: Boitempo, 2005.

NAGEL, Thomas. Como é ser um morcego? Revista da Abordagem Gestáltica: Phenomenological Studies, v. 19, n. 1, p. 109-115, 2013. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=357735557011. Acesso em: 09 nov. 2024.

NIETZSCHE, Friedrich. A gaia ciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

SLOVIC, Scott; YANG, Ying-Yu. Future of Ecocriticism: Strategic-openness and Sustainability: An Interview with Scott Slovic. Comparative Literature: East & West, v. 13, n. 1, p. 105-116, 2010. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/25723618.2010.12015571. Acesso em: 01 set. 2024.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Culture and value. Chicago: University of Chicago Press, 1980.

WOHLLEBEN, Peter. A vida secreta das árvores. Rio de Janeiro: Sextante, 2017.

Downloads

Publicado

2026-07-16

Como Citar

Moreto da Rosa, L., & ¨Mügge, E. (2026). Veneno nos campos da vida: reflexões ecocríticas em A árvore mais sozinha do mundo, de Mariana Salomão Carrara . Revista Diálogos | Estudos Da Linguagem, 13(3), 47–71. Recuperado de https://periodicos.upe.br/index.php/revdia/article/view/1970

Edição

Seção

Caderno de Estudos Linguísticos e Literários