As pessoas surdas (e não surdas) também ensinam os sentidos de uma poética da relação no devir ser/estando

Autores

DOI:

https://doi.org/10.70678/refami.v10i2.1697

Palavras-chave:

Pluralidades, devir surdo, linguagens

Resumo

Neste ensaio, discutimos a ideia que gostaríamos de defender: as pluralidades das existências surdas (e com elas as linguagens) se constroem e são construídas pelos “devires ser/estando” em ambientes sociais que permitem relações com base em uma perspectiva atávica, em mundos colonizados – como os diferentes brasis –, cujas pluralidades são compreendidas como um mal a ser sanado. Nesse caso, ocorre a contradição dos processos colonizatórios: as invasões dos territórios promoveram diferentes diásporas, portanto misturas, mas que nas contemporaneidades preconizam a pureza dos corpos e, por extensão, das linguagens. 

Biografia do Autor

Ana Regina e Souza Campello, Instituto de Educação de Surdos/INES

Professora do Departamento de Ensino Superior - DESU / INES

Bruno Gonçalves Carneiro, Universidade Federal do Tocantins

Professor da Universidade Federal do Tocantins/UFT.

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Publicado

24-03-2026

Como Citar

Lima de Souza, S., e Souza Campello, A. R., & Gonçalves Carneiro, B. (2026). As pessoas surdas (e não surdas) também ensinam os sentidos de uma poética da relação no devir ser/estando. Revista Falange Miúda, 10(2), i-viii. https://doi.org/10.70678/refami.v10i2.1697