O ÉPOS SEGUNDO BAKHTIN: UMA OUTRA LEITURA DE ALMAS MORTAS

Authors

Keywords:

Nikolai Gógol, Gênero épico, ambiguidade

Abstract

Neste estudo, discutimos a perspectiva interpretativa que Mikhail Bakhtin expõe em “Epos e romance” sobre Almas mortas, obra de Nikolai Gógol. Apresentamos argumentos que permitem identificar, na narrativa gogoliana, a presença de uma essencialidade épica, além do aspecto risível. Este posicionamento difere do de Bakhtin, que considera a obra de Gógol apenas a partir do riso. Em nossa leitura, entretanto, levamos em conta a ambiguidade própria do autor e seu complexo potencial de transformação. Assim, percebemos que, embora Almas mortas não seja uma epopeia tradicional, compartilha de aspectos oriundos do gênero épico e possui força de expressão épica.

References

BAKHTIN, Mikhail. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Trad. Aurora Fornoni Bernardini, José Pereira Júnior, Augusto Góes Júnior, Helena Spryndis Nazário, Homero Freitas de Andrade. 7. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.

CAVALIERE, Arlete. O teatro de Gógol: tradição e modernidade. In: GÓGOL, Nikolai. Teatro completo. Organização e tradução de Arlete Cavaliere. São Paulo: 34, 2009.

CUNHA, Helena Parente. Os gêneros literários. In: PORTELLA, Eduardo (Org.). Teoria literária. 5. ed. Rio de Janeiro: Tempo brasileiro, 1999.

GÓGOL, Nikolai. Almas mortas. Trad. Tatiana Belinky. São Paulo: Abril cultural, 1972.

STEIN, Ernildo. Aproximações sobre Hermenêutica. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996.

STAIGER, Emil. Conceitos fundamentais da Poética. Trad. Celeste Aída Galeão. 3. ed. Rio de Janeiro: Tempo brasileiro, 1997.

Published

2019-10-19

Issue

Section

Dossiê Temático