Credibilidade e autoridade simbólica: uma análise do jornalismo como fiador e antifiador de discursos na era da desinformação
Resumo
O jornalismo possui um poder simbólico de mediação entre os fatos e o discurso apresentado que se constituiu, historicamente, pela credibilidade que as instituições jornalísticas constroem diariamente. O objetivo deste estudo é investigar as posições discursivas de garantia ou desestabilização da autoridade simbólica do dizer a partir das cenografias e ethos engendrados pelo jornalismo profissional quando se apresenta como fiador ou antifiador discursivo no contexto da desinformação. O marco teórico que sustenta a investigação se apresenta a partir dos conceitos de cenografia e ethos (Maingueneau, 2008a, 2008b, 2020), gênero discursivo (Bakhtin, 2011), jornalismo (Bucci, 2019) e Traquina, 2020, 1999), credibilidade (Lisboa; Benetti, 2017) e pós-verdade (Ferrari, 2018). A pesquisa é exploratória, bibliográfica e documental com abordagem qualitativa, mediante procedimento da análise do discurso, de matriz socio-histórica. A materialidade do corpus é constituída por uma postagem do deputado federal Eduardo Bolsonaro na rede social X (antigo Twitter) que adultera uma matéria do jornal The New York Times. Como contribuição, esta pesquisa oferece uma qualificação da discussão acerca do fiador enquanto instância de enunciação que garante a credibilidade de um discurso num contexto de crise do jornalismo profissional e amplo consumo de desinformação. A análise demonstra que o jornalismo profissional, fiador de um trabalho comprometido e simbolicamente reconhecido na sociedade, é tomado de empréstimo como garantia fiduciária quando instrumentalizado no contexto da pós-verdade.
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