Práticas de Oralidade Acadêmicas e Profissionais na Formação e no Trabalho do Professor de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II e Médio
Palabras clave:
Oralidade acadêmica , Oralidade profissional , Formação docente , Formação inicialResumen
A presente pesquisa de mestrado tem como objetivo analisar por quais gêneros orais os licenciandos em Letras e docentes de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II e Médio interagem em práticas de letramento acadêmicas e profissionais. Nesta perspectiva, os estudos de formação docente têm mostrado que uma boa formação precisa dar subsídios para um agir profissional que permita ao estudante vivenciar diferentes práticas de linguagem na graduação (Fisher, 2015; Costa; Paz, 2017; Bezerra, 2020, dentre outros), além de proporcionar ao futuro professor uma formação que não o reduza a um reprodutor de teorias (Gatti, 2015; Gatti et al. 2019; Saviani, 2009; Nóvoa, 2017, dentre outros). No que diz respeito à oralidade, trata-se de um eixo que carece de um maior aprofundamento na formação inicial docente em Letras (Luna, 2016, 2017). Esses futuros professores de Português lidarão com diferentes gêneros do métier docente (Brasileiro; Pimenta, 2021, 2022a, 2022b, 2022c, 2023), bem como esses estudantes, ainda na graduação, lidam com diferentes práticas de linguagem próprias do ambiente acadêmico (Lea; Street, 2014). Sendo assim, nossa escolha teórica relaciona estudos de letramento, oralidade e formação docente, entendendo o interacionismo sociodiscursivo como a nossa base (Bronckart, 2006, 2008; Machado; Cristóvão, 2006, dentre outros), cujo conceito de gênero é central para o levantamento e a problematização acerca dos gêneros do métier docente. Como objetivos específicos, buscamos: a) analisar os gêneros orais presentes nas práticas de letramento acadêmico dos alunos de letras; b) analisar os gêneros orais presentes nas práticas de letramento profissional dos alunos de letras; c) identificar os gêneros orais presentes nas práticas de letramento profissional dos docentes de Língua Portuguesa dos Ensinos Fundamental II e Médio. Como metodologia, elaboramos entrevistas semiestruturadas com quatro professores de diferentes instituições, assim como com quatro estudantes do curso de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora/MG. Nossos dados foram coletados por meio de gravações em vídeo via google meet e posteriormente transcritas; como procedimento para as análises lançamos mão dos segmentos de orientação temática e segmentos de tratamento temático (Bronckart, 2008). Buscamos, então, interpretar como as práticas de oralidade se fazem presentes no meio acadêmico para estudantes de Letras e no meio profissional para professores de Língua Portuguesa; assim, pudemos verificar quais são as relações entre os gêneros vivenciados na formação e os requeridos no contexto de trabalho. Os resultados nos levam a compreender que há poucas vivências dos graduandos com gêneros orais na licenciatura, seja de instância acadêmica (seminário e apresentação de pôster), seja da instância profissional (reuniões e atendimentos a pais). Em contraposição, os docentes relataram necessitar de formação para realizar seu trabalho por meio dos gêneros orais, como intensa mediação de conflitos e uma série diversificada de reuniões, além das aulas. Com isso, consideramos que a formação docente carece de práticas orais profissionais e acadêmicas. Além disso, é necessário incluir reflexão explícita sobre oralidade na formação, pois os docentes compreendem a necessidade do domínio do discurso oral na vida profissional.
Citas
CASTRO, Joaquim Junior da Silva. Práticas de oralidade acadêmicas e profissionais na formação e no trabalho do professor de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II e Médio. 214 f. 2023. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 2023. Orientado por: Prof.ª Dr.ª Tânia Guedes Magalhães.
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